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Personalidade na Dança

Escrito por Fadua Chuff

 

Outro dia em uma de minhas aulas conversando com as alunas, foi questionado um tema que quero compartilhar com todas as praticantes e estudiosas da dança oriental, e trata-se da personalidade na dança.

 

A discussão começa a partir do ponto de vista da evolução da dança do ponto de vista técnico, acreditando que toda a forma de arte passa e deve passar por esta evolução, já que acompanha o desenvolvimento de tudo que a permeia. Minhas alunas e ex-alunas, ou aquelas que já participaram de workshops, sabem que sou minimamente detalhista e adoro ensinar passos e sequências complexas.

 

Meus longos e sólidos anos de estudo de outras formas de dança, em especial o ballet, dança flamenca e dança moderna, fazem com que minha estrutura e direcionamento das aulas tenham esta ordem e conduta. Mas apesar de toda esta necessária ordem e disciplina na dança, independente dos objetivos, hobby, terapia ou profissão, onde fica a personalidade de cada uma das mulheres que buscam um reencontro com o seu feminino interior através desta arte?

 

Hoje com toda a facilidade da internet e possibilidades de conhecer diversas bailarinas através da web, percebo que cada vez mais podemos contar nos dedos um estilo que distinga cada profissional, com seu próprio e marcante caráter na dança. Cada vez mais podemos encontrar uma imitação frenética de passos, e passos, e passos, e passos... e diga-se de passagem, adoro coisas complicadas, e utilizar muitos passos nas danças, kkkkk.!

 

Também não podemos negar que sempre quando estamos aprendendo temos alguma ou algumas bailarinas e professoras como exemplo a seguir e elas podem, é claro, exercer alguma influência em nossa dança. Mas a questão é a partir de nossa vasta aprendizagem de passos, técnicas e estilos diferentes, deveríamos buscar o que está em nosso interior, já que cada uma é única e muitas vezes certos movimentos não combinam com certos estilos, forma física e personalidade da pessoa.

 

Se voltarmos à época de ouro da dança oriental, anos 50 e mesmo depois, 60, 70, 80, podemos ver claramente as personalidades distintas das grandes bailarinas. Ao lembrar de nomes como Samia Gamal, Naima Akef, Nadia Gamal, Soheir Zaki, Nagwa Fouad, Azza Sherif, Nelly, Fifi Abdo, Monah Said, dentre muitas outras, não é certo que imediatamente vem em nossas mentes o estilo, dança e personalidade de cada uma?

 

Hoje temos algumas marcantes e preciosas bailarinas, mas cada vez mais parece que o objetivo na dança é a imitação, mostrando que “minha dança” é igual a desta ou daquela bailarina. No meu conceito, e estou quase certa que no conceito da maioria das praticantes, sabemos que esta é uma das danças onde mais podemos ter liberdade de expressão e revelação de nosso interior, onde a expressão deve vir de dentro para fora.

 

Ao utilizarmos estas ou aquelas sequências assimiladas nos últimos cursos - seja no exterior ou com professores no Brasil - lembrem-se de que o que mais faz a diferença, “toca” o público e deixa a nossa marca, é que os movimentos complicadíssimos ou básicos saiam de seu coração e de sua própria e única expressão. A dança oriental não deveria ser uma mera imitação de passos, e sim uma combinação perfeita e equilibrada de técnica e sentimento, expressada como arte para o público e para nós mesmas.

 

Você concorda? Sente dificuldade em desenvolver sua Personalidade na Dança?

 

Fadua Chuffi é bailarina, professora, coreógrafa pesquisadora de Dança Oriental Árabe. Atua na área desde 1988. Ministra aulas em seu Estúdio em São Paulo – SP. 

 

 

 


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