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As curvas do Violino

Escrito por Triana Balesta

triana_balesta   A bailarina deve entender além de como funciona seu corpo. Ela deve saber como ritmar sua dança para encontrar os sons dos instrumentos da música oriental. Neste texto desenvolvido por Triana Balesta, a própria bailarina explica a função do violino para a dança a partir de sua experiência.

 

  Se a dança do ventre é uma dança sensual, o violino faz jus ao fato. Foi um instrumento incorporado à cultura árabe em meados do séc. XIX e início do séc. XX. Dependendo da forma com que se toca, podemos chamá-lo por outros nomes. Violino é quando se toca música clássica, rabeca quando são músicas populares, podemos encontrar também como camanja em culturas orientais, quando seu toque é muito fragmentado, “nervoso” eu diria, e outros.

 

Aqui está outro instrumento no qual podemos nos deliciar em oitos, redondos, ondulações, cambres... Sinuosos movimentos que se encaixam tão bem nas curvas do nosso corpo. E para completar a vitalidade dessa mulher, ele quebra notas em tremidos ansiosos pelo que há de vir. A forma de se tocar violino à moda oriental é muito diferente da clássica europeia. Aqui podemos opor notas alongadas e quebradas em um único compasso, sempre floreando, sempre enfeitando, sempre poetizando. Pois, apesar de ser um instrumento de cordas, seu som fino é formado quando elas são friccionadas por uma vara de madeira.


As falanges dos nossos dedos se alternam acariciando o perfume, o olhar e os desejos que nosso corpo emana no ar. As palmas, como conchas, recolhem um som enigmático e empurram seguidamente como a maré. Ainda como a maré, recolhemos a melodia do violino que passa por nós, brinca dos pés a cabeça e por nossos braços pulsa para fora recomeçando o embalo.


O enigma do violino não está para ser revelado, nem entendido. Está apenas para ser sentido e amado, nada a mais (assim disse Osho sobre as mulheres). A única coisa que se entende em um taqsim é o que ouvimos e vemos. Taqsins são assim, feitos para serem sentidos, vivenciados, explorados. Simples desse jeito: “ouço, logo vejo” (para o público) e “ouço, logo danço” (para bailarinas) regado por uma deliciosa calda de sentimentos! A empatia entre músico, bailarina e público fazem da dança oriental o verdadeiro sentido de existir e permanecer.

 

* Texto publicado em seu blog http://trianaballesta.blogspot.com.br/2013/02/as-curvas-do-violino.html 

 

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