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Improvisação ou Coreografia?

Escrito por Triana Balesta

 

É um tema muito discutido e sempre está na cabeça das bailarinas...
Coreografar significa não dançar com a alma?
Improvisar significa me arriscar e não dançar tão bem quanto poderia?

 

triana_balesta

 

 

 

Uma vez que o papel da dançarina do ventre seja traduzir a música em movimentos, ela DEVE conhecer a música que vai dançar. Podemos sim, dançar uma música que nunca ouvimos antes, e pode ter um resultado satisfatório. Isso só vai acontecer no caso da bailarina ter passado por um processo muito longo de estudar uma variedade enorme de músicas e ter desenvolvido uma boa habilidade em reconhecer os estilos, ritmos, instrumentos musicais, origens da música que irá tocar. No entanto, certamente, quando dançar uma música que nunca ouviu não estará apresentando o seu melhor naquele momento.  E é isso que se espera de um show profissional, além do que esperamos de nos mesmas como profissionais. Talvez até se sinta frustrada em pensar “não fiz nada do que poderia ter feito”.

 

Por outro lado, quando se vai dançar uma coreografia, ela pode ser sua ou não. É muito fácil esconder sua personalidade por baixo de sequências e movimentos que foram racionalizados previamente para esse fim. Sendo que a dança deve expressar a nossa personalidade e individualidade.

 

Dançar uma coreografia depende de muito mais empenho, dedicação e estudos relacionados a música para que seja traduzida de forma perfeita, e a sua compreensão dela vai resultar em  situações que talvez não será possível que seja coreografada, que necessariamente você terá que estudar os sons, os floreios  de um taqsim, por exemplo, e dançar conforme seus sentidos, habilidades técnicas, físicas e sentimentos permitirem no momento, nunca será igual. Inclusive há danças específicas que respeitando as tradições da qual se originou, como o baladi, não é indicado e esperado que haja coreografia. Ou seja, o dançar improvisado é o que está mais próximo da dança oriental vivenciada nas culturas árabes dentro de um contexto histórico social.

 

O processo de coreografar é muito diferente e vai muito além do processo de “dançar” por si só. Você pode coreografar para si próprio, para um grupo ou pode dançar coreografias de outro profissional (atribuindo os devidos créditos e obtendo autorização). No mercado de trabalho há habilitações profissionais distintas para essas 2 áreas da dança: bailarino e coreógrafo.

 

Quando Você vai improvisar é extremamente necessário que estude toda a estrutura musical, todas as camadas que compõe a música, contagens, ritmos, frases rítmicas, melódicas, diálogo entre instrumentos, e entre instrumento e orquestra, desde o todo até as minucias e cada instrumento que compõe a canção. Além disso é necessário ter um repertório de movimentos que possibilitem essa leitura e que vá expressar de maneira espontânea natural e que corresponda ao estudo anterior com perfeição.

 

Você pode improvisar uma música tocada ao vivo que não dê essa possibilidade de estudo específico e aprofundado em uma música, mas te dará a oportunidade de comunicação e conexão com os músicos em uma vivência única e de grande responsabilidade perante aos colegas e o público.

 

“É na improvisação que podemos notar a real carga de experiência de uma bailarina”.

 

Todo o processo de uma boa improvisação é a base de um processo coreográfico, porém, a continuidade desse processo se dá ao organizar, estruturar, investigar os movimentos conforme esse estudo que tenha uma proposta poética.Ou seja, antes da coreografia, existe muita improvisação de uma mesma música. Aí então depois de tanto estudo e repetição, no momento da dança só sobrará entrega e prazer ao dançar... durante essa dança a bailarina deve estar segura do seu trabalho e poderá desfrutar de toda a emoção que resultou esse processo: “coreografar é fazer amor com a dança” (Maryland Trezub)

 

Dançar em total improviso (me refiro ao improviso estudado) pode ser muito satisfatório pessoalmente para a bailarina em dias inspiradores, mas pode ser frustrante em dias que ela deve dançar e não esteja num bom astral, com preocupações ou stress emocional. Isso não quer dizer que dançar uma coreografia estará 100% segura disso, pois apesar de parecer ter “resolvido” o seu desempenho, sua dança pode soar mecânica, robótica, sem entrega.

 

Podemos concluir que em ambos os casos há vantagens e pontos que exigem maior atenção para que sua dança possa expressar o melhor de si. O importante é a compreensão de que toda arte faz parte de um processo ligado a poética e um processo interno em busca de auto conhecimento.

 

A dica é fazer as experimentações e insistir para que não perca a possibilidade de se desenvolver diante das primeiras dificuldades sendo sua dança por base na improvisação ou na composição coreográfica.


Pessoalmente considero as duas formas muito válidas para utilizar em apresentação solo, grupo e para fins didáticos. Utilizo esses dois meios tanto separadamente (100% coreografia e 100% improvisação) e em diálogo (partes coreografadas e partes improvisadas de uma mesma música).

 

Triana Ballestá
55 (41) 3284-1294 / 8464-5996
http://www.trianadance.com.br/
trianaballesta@hotmail.com

 

  

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