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A dança no século XX

sara_naadirah.jpgInfelizmente, a Dança Oriental foi mal interpretada, quando descoberta pelos ocidentais. Mas hoje em dia, é o estilo de dança cada vez mais praticado por mulheres e homens em todo o mundo, principalmente nos países industrializados. Mas então, como se deu esta mudança?

Dançada e apresentada principalmente pelas “gawazy” e “almées”, a dança oriental adquire, aos olhos de estrangeiros, um carisma rural com pouco interesse, incomparável aos grandes bailados realizados na Europa e América.

A dança “baladi” (palavra que quer dizer: da terra) era frequentemente utilizada para designar Dança Oriental entre estrangeiros e locais que continha uma conotação negativa e degradante, e foi agravando este pensamento até meados do inicio do século XX.

Badiaa Masabny, nascida na  Síria, viveu no Líbano mas contrai matrimônio e irá residir no Egito, tem uma visão do quanto a dança “da terra” poderia contribuir para uma boa imagem do médio oriente.

Assim, esperta e ambiciosa, percebe que para mudar algumas mentalidades, principalmente aos olhos de estrangeiros, precisava abrir uma casa de espectáculos, que só mostraria shows de dança oriental, com a mesma qualidade que havia shows de dança no ocidente.

Para isso, e por volta dos anos 20, inaugura o “Casino Opera”, a casa de espectáculos que se tornou a mais famosa e conceituada na época, criando um formato de espectáculos adaptado às exigências e gostos dos estrangeiros que abundavam o Cairo na altura.

Como não há espetáculos sem bailarinas, Badiaa vai escolher um grupo de jovens mulheres e forma uma trupe. Para ensaiá-las ela chama professores da Europa, de dança clássica (ballet) e é nesta altura que irá haver um grande desenvolvimento na técnica da dança, começando assim a chamada “Época de Ouro” da Dança Oriental.

Foi introduzido: deslocações no espaço (o famoso arabesque), postura de corpo e braço mais clássico e definido, movimentos mais amplos e suaves, piruetas e o uso do véu como adereço.

Badiaa revoluciona de tal maneira a dança baladi, passando-a a chamar Dança do Oriente. Cria assim um novo estilo que influencia toda a dança no século xx que dura até os dias de hoje. Desenvolvendo não só a dança, reinventa um novo vestuário para as atuações. É ela a responsável pelos trajes que estamos habituados a ver, o traje de “cabaret”: top ou soutien com uma saia e cinturão adornados com missangas. Ainda hoje as bailarinas usam este tipo de vestuário embora também tenha evoluído para soutien e saia justa enfeitadas com pedrinhas e/ou missangas.

Também é ela a responsável pelo lançamento das mais conhecidas bailarinas da época, verdadeiras divas que não só dignificaram a dança no Egito como levaram-na até Hollywood.

Destaco:

Tahya Carioca nasce por volta de 1920, e dança até os 32 anos, passando a dedicar-se depois somente ao cinema. Não deixou “morrer” o estilo baladi mas introduziu uma perspectiva artística elaborada, com movimentos de dança brasileira (daí o nome artístico “carioca”).

Samya Gamal, um pouco mais nova que Tahya, foi a bailarina que mais levou a sério a introdução do véu na dança clássica da Dança Oriental. Participou em inúmeros filmes, misturando a graça egípcia com o glamour de Hollywood. Introduz também o uso do sapato a fim de mostrar a sua ascensão social e financeira. Diz-se que era apaixonada pelo cantor e compositor Farid Al – Atrash (com quem trabalhava constantemente) que provinha de famílias nobres que afirmava que um conde nunca se poderia casar com uma bailarina, embora se percebesse que também nutria uma enorme paixão por ela.

Naima Akef cantava, dançava e representava. Nasceu em 1929 numa família de circo e embora tenha tido uma vida particularmente difícil (enfrentou um cancro com 27 anos) desenvolveu uma técnica e expressão únicas na Dança Oriental. Em 1957 foi convidada a atuar em Moscovo tendo sido galardoada com um prêmio do Teatro Bolchoi, passando a ser conhecida como “Isadora Duncan do Oriente”.

Como também não há dança sem música, é nesta época de ouro que são criadas as composições mais marcantes, que ainda hoje ouvimos (embora com atuais versões), cito alguns compositores e intérpretes: Mohamed Abdul Wahab, Farid Al- Atrash, Zakaryya Ahmad, Abdel Halim Hafaz. Entre cantoras destaca-se Warda e a lendária Om Kolthoum (grande respeitada diva da música árabe que ainda vive nos corações egípcios).

A partir dos anos 50, mais precisamente em 1959, estréia um primeiro espectáculo da Reda Trupe (tendo como mentor, professor e coreografo Mahmoud Reda) que coloca em cena, através de belíssimas coreografias, o reportório folclórico egípcio, contribuindo assim para uma maior dignificação da dança tradicional do Egipto.

Esta trupe continua na ativa (embora com outros elementos) sendo os seus espectáculos uma referência mundial. Hoje em dia os primeiros elementos do grupo ensinam um pouco por todo o mundo, afim de preservar o clássico e folclore dentro da ameaça que são as novas fusões.

A história também se escreve e se percebe através da arte deixada por algumas personalidades, assim tenho de destacar o trabalho notável de algumas bailarinas nesta segunda metade de século, que fazem essa mesma história e que irão ficar para sempre na história da Dança Oriental:

. Nagwa Fouad (anos 60, 70) neste momento está retirada;
. Souhair Zaki (anos 70, 80) neste momento está retirada; um das mais respeitadas bailarinas, ainda hoje é reconhecido o seu amor à dança;
. Fifi Abdou (anos 80, 90) mas ainda está na ativa, embora raras são as suas atuações, é a mais mediática bailarina de todos os tempos;
. Mona Al- Said (anos 70, 80), neste momento ensina;
. Lucy (anos 80, 90) deixa a dança, dedicando-se exclusivamente ao cinema.

Neste preciso momento, a história da dança está a ser escrita! Bailarinas como Dina, Randa Kamel, Nancy, Sorraya, Dandash, Asmahan  honrosas profissionais, que cada uma tem o seu estilo próprio, levam a dança aos quatro cantos do mundo, influenciando a sua prática, lançando estilos renovados, modas e músicas.

Nunca a dança oriental teve tantos adeptos como nos dias de hoje.  Nota-se que desde o final do século passado e início deste, que a dança tem operado no mundo ocidental como uma terapia face à exigente sociedade que vivemos. Finalmente estamos a voltar (embora muito devagar) à essência da dança praticada no Antigo Egito. Será que chegamos lá? Espero que sim…

Sara Naadirah
Bailarina e professora de Dança do Ventre em Portugal
www.saranaadirah.com
saranaadirah@mail.pt

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